terça-feira, 30 de junho de 2009

Desnexo

A minha janela fica ao lado da porta
Visitas sofríveis dispenso aos flancos
Do lado de fora, estou me chamando
Atendo? Ou fico aqui, sonhando?
Questiono o impasse de pensar ou viver.
Posiciono a mente no estar; no ser
E trafego por sobre minúcias.
Minúcias desfoques de nexos sentidos
Que vagam no eterno
E encontram abrigo no vazio
De um cômodo sem portas ou janelas.

Anderson Ferreira e Gabriel Pereira

-Gabriel Pereira posta em: riscodevapor.blogspot

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Desapego

Fartou-se de fatos falidos.
E deitado, distou-se de ditosas ditas.
Nos cordéis complexados cantou
Atlas artilheiros de apuros andantes.
Reinado. Roubado. Rinçado
De tristes trapaças. Tulipas tombadas.
Amargurado e farto perdeu o padrão.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Tiros Fora

Dia desses no Engenho
O angustiado.
Abalado.
Só.
Pensou?!
Nunca pensou.
Ao três.oito se apegou
Por tortas ruas atravessou
e num súbito rompante
Atirou.
Olhem que sorte!
O tal cartucho desviou.
Bateu na mesa do boteco.
Encharcou de cachaça a vidraça.
Foi o Zé quem derramou.
E se a viúva embreagada.
Fosse senhora encantada
O tiroteio seguiria.
Traçaria sua
Trilha.
Mas
de
certo
era pagã.
Xingou dois
pares. Palavrão!
Peitou a largos gritos
O dono da carabina.
E no confuso vai-vem
Matou coelhos.
Dois em um.
Salvou a
moça
do
morrer.
E, pistoleira
Abalou o atirador.
Virando alvo de cobiça
Tarde a dentro lá no Engenho.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Temporalidade

E quando a luz já tiver se deitado
E a ausência tua restar-me em companhia?
E quando os louros de uma conquista amarelarem
E, na fadiga, pousarem os futuros anseios?
E quando puderes ver o mesmo entardecer que vejo
Mas, apenas no pretérito saciarmo-nos em carícias?
E ao menor sinal do imaginário, criar a ilusão
De uma ditosa face quando paralela à tua.

Anderson Ferreira e Octavio Peral

-Octavio Peral posta em:
puxeempurre.blogspot

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Retrato

Na tela, as tinturas amarguravam-se
Postavam um escárnio de angústia.
A modéstia insinuante era penosa
Um descaso às margens do social.
Massacrados guris.
Pés descalços, tão rotos
Envoltos em ações arbitrárias.
O desloque é massante
Estada aflição o reflexo na face.
Falo de faces encarceradas!
Faces tristonhas e apunhaladas.
Crueldade!
A crueldade de um futuro presente
Manchado por cartas finanças.
Nos morros, barracos, empresas:
Vende-se almas.
Vende-se vidas.
Almas vividas que no divertir-se do asfalto
Ascendem ao purgatório.