terça-feira, 29 de setembro de 2009

aos íntimos, Zé

a festa acabou
acabou a festa
não há José
nem ninguém
que indique um norte

a luz apagou
apagou a luz
e José, no escuro
rumando à luz
indicada ao longe
não viu que na festa
o fim consagrou-se

o povo sumiu
sumiu o povo
e José já aflito
não viu que no breu
foi-se o povo
e a festa

a noite esfriou
esfriou a noite
e José sem luz
sem povo
sem festa
cochilou nos versos
de um poema encantado

9 olhares humanos:

Strider disse...

E agora, José?

Texto triste, mas bonito mesmo assim. Me fez pensar.

David Aragon disse...

Boa intertextualidade com o poema do Mestre Drummond. E apesar de aparentar ser uma variação sobre o mesmo tema, não é, tem uma força própria. Gostei muito.

CHINFRAS e TALS

Luís Pinochet disse...

Nossa... É tão difícil encotnrar um blog com poesias... gosto de poesias... De ler. De escrever, só um pouco... mas aprecio de qualquer forma. Mesclar tristeza e toques de "falsa alegria" não é para qualquer um.

Luiza disse...

Maravilhoso!

Ivanilson disse...

Tá escrevendo sobre mim,Cabelera?

Belo texto =D

Richard disse...

Putz!
Textualizar um momento final de festas e assim abrir o leque de pensamentos e coisas que podem ser usadas é bom.
Parabéns, tens futuro.

Rabisco de vapor disse...

Pica das galáxias! Ao mesmo tempo que faz lembrar outro poema, possui um valor prórpio, mesmo que isso seja óbvio... rsrs Mas esse é único. Fica com Deus! Bjunda!

Jean Soares disse...

Bonito poema. Essência melodramática do fim de festa, poderia ser o fim de uma vida, quem sabe o fim de mais um cidadão José que acaba escrevendo em poemas vãos suas angústias e medos do fim...
abraços

Keisy Oliveira C. disse...

Nossa... Meio triste... Mas adorei! Mto boa essa poesia! ;)