domingo, 20 de dezembro de 2009

ventania

quem bate a porta
alheia aos ventos e folhas
são ventos quietantes
e folhas grileiras

quem recorre ao encantamento
de tratos e tratados
de tantos em tantos
tesouros de folhas

se voam, ecoam
em ninhos de acaso
em ninhos, caminhos

quem bate a porta
reclusa aos ventos de encanto
quem ousa atirar-me ao viver
de momentos dispersos

em sono angustiante
em sonhos pesados
se bates a porta
dê brechas a brisa
que entoa o meu ser

domingo, 13 de dezembro de 2009

sinestesia

e, de repente, ela surgiu
como uma sinestesia
em olhar salgado
como um efizema
angustiante e essencial

de repente, ela me olhou
como uma dama Gioconda
como em um prisma salgado

de repente, ela se foi
largando curvas perigosas
deixando um rastro perfumeiro

de repente, honestamente
ela surgiu, me olhou e partiu
e me restou um ruído rosa
tão amargo quanto o mel

domingo, 29 de novembro de 2009

teu anseio

se me anseias derradar
basta alçar-me seu viver
basta andar de costas nuas
nua inteiro após um beijo

se me anseias derradar
faça sombras sobre mim
silhuetas imorais
de teu corpo em movimento

se me anseias derradar
veja a luz solar erguer-se
ao meu lado, entrelaçados
entre tiras de paredes
entre brisas
entre nódoas
se me anseias derradar
dê-me a alma incinerada